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A Origem

É muito comum, quando se trata de arte, ver o artista falar de influências.
Quem (ou o quê) o influenciou, de onde vem sua inspiração, como chegou até o ponto que está agora…
Tenho certeza que você também já viu muito entrevistador fazer esse tipo de pergunta.
De fato ajuda a entender melhor o artista e sua arte, se soubermos as origens de ambos… Mas o que de fato é a “origem” do artista?

Imagina-se que origem de alguém inicia-se quando essa pessoa nasce e passa a receber influências de inúmeras formas possíveis. Se é assim que começa, então quando termina? Quando é que esse período de formação da “personalidade artística” se conclui?

A resposta é tão simples quanto óbvia: NUNCA!
E digo mais: a A origem das influências que recebemos está bem antes do nosso nascimento! [é cientificamente comprovado que, ainda no ventre, a criança em formação já recebe e absorve inúmeras formas de estímulos e que esses estímulos influenciam a criança após o nascimento].

Apesar de toda essa intro, não quero falar sobre as origens, mas sobre a continuidade.
… e também não quero falar de todos os artistas; quero falar dos músicos… mais ainda, dos bateristas.

Quando alguém decide que quer aprender a tocar bateria, é lógico que estilos-1essa pessoa gosta de música. Até mais lógico ainda que essa pessoa (como todas as outras) tem preferências, gostos, afinidades fora e especialmente (para o que nos interessa) dentro da música. E é de se esperar que essa pessoa almeje tocar as canções de sua banda ou artista preferido(a). Não vou falar nada contra isso… isso não é ruim ou errado, pelo contrário, isso é ótimo. Isso é na verdade a porta de entrada dessa pessoa pra música. Pode-se dizer que isso é a “Origem Musical” dessa pessoa.

rgr2007_0034Quando eu comecei a tocar, eu queria tocar rock. Qualquer rock… contanto que fosse rock. Tinha sim minhas bandas preferidas, mas n fui tão exigente, só queria poder dar uma “espancada” nas panelas e mandar ver.
Eu alcancei esse objetivo bem rápido. Em 4 ou 5 meses eu já tocava rock… Basicão como eu queria, mas tocava… e no quesito “espancar” eu era PhD. Só que nesses 4 ou 5 meses muita coisa aconteceu na minha relação com a música.

Na busca por aprender algo, as coisas que estavam ao redor começaram a me influenciar ewp_20161006_015 quando cheguei no ponto que eu inicialmente queria chegar, eu não queria mais espancar, eu queria tocar… eu não queria tocar qualquer rock, eu queria tocar os meus preferidos, os mais trabalhados… depois de um tempo eu queria tocar algo além de rock… e depois eu queria melhorar meu controle, minha pegada, minha técnica, aceleração… eu já não queria só tocar, eu queria poder tocar e cantar enquanto tocava… e depois tocar e cantar não era mais o suficiente, eu queria escrever, eu queria ler música, eu queria entender música… eu queria entender a linguagem dos outros instrumentos mesmo sem ter que necessariamente aprender a tocar eles.

Enfim, isso é um exemplo de como a música é viva e cresce dentro da pessoa que vai fundo nela. Quando você chega num determinado ponto, a arte viva dentro de você, não te deixa conformar-se com “formas básicas” … você passa a querer mais … por que ficar nas formas básicas de um quadrado, círculo ou triângulo, se eu posso viajar com mais profundidade num cubo, esfera ou pirâmide? [se é que você me entende :P]

A diferença entre algo simples tocado por você e algo igualmente simples tocado por um outro baterista está na forma como cada um enxerga a música e isso é consequência das coisas que nos influenciaram e que nós absorvemos, agregando aquilo à nossa arte… ou não.

Nós temos nossas preferências musicais, e isso é totalmente legítimo, mas não é legal deixar passar a oportunidade de aprender coisas com as quais não temos afinidade, seja por gosto pessoal ou mesmo porque nunca tivemos contato com determinado estilo musical.

10Neil Peart (baterista do Rush), em entrevista à revista Modern Drummer, disse algo que eu nunca esqueci e que meio que transformei numa máxima aplicável a todos os estilos musicais. Ele disse:

“Ter estudado Jazz por um tempo, me fez um baterista de rock muito melhor”.

Então finalizando, abra seus horizontes! Continue tocando o que você gosta, mas busque fazer isso sempre da melhor maneira e, se possível (por favor, faça isso!!!), coloque VOCÊ na sua arte. Se a sua arte for uma “reprodução” da arte de outra(s) pessoa(s), você não passará de um rádio que toca o que recebe pelo sinal da antena… seja o que envia o sinal!

Seja extremamente INFLUENCIADO

ABSORVA o que for bom, use isso como INGREDIENTE

CRIE a SUA arte…

… e SEJA INFLUÊNCIA para outras pessoas!

2017-31-1-03-16-27

Victor Slave

ps.: sim, eu estava pensando no filme “A Origem” quando eu escrevi esse post! 😛

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