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Buracos na Parede

Quando eu era moleque, me lembro que me deparei com uma estrutura interessante que descrevia na época como “Buracos na Parede“… daí o título desse post.

cobogó-haaz-2Na verdade me refiro ao Cobogó… nomezinho esquisito que muita gente ainda se atrapalha. Confesso que Prof. Google me ajudou! 😛 … mas quem nunca viu uma parece como essa da imagem? Noutros tempos já se usou mais que hoje em dia, mas ainda vemos bastante. A tal da parede de cobogó não é mera decoração, há uma razão… pelo menos deveria haver huahuahuahua (vai que o figura quer uma parede de cobogó SOMENTE pra decorar… quem sou eu pra dizer que não! 😛).

Os Cobogós são passagens de ar e iluminação. A razão mais lógica e prática de existir uma parede ou muro todo cheio de buracos, propositalmente claro, pois ninguém vai querer morar numa casa tipo “Privacidade Zero” onde todas as paredes são perfuradas.

Essas paredes são funcionais e ornamentais… sim, ornamentais! Afinal de contas se você fosse pôr uma dessas em casa não iria querer que ela fosse bonita? que fizesse complemento à decoração, ao estilo da sua casa? Claro. Pelas duas características, é necessário pensar direitinho como utilizá-la. Tamanho, local, posição, angulação com relação ao vento e luz natural, material, cor, etc….

Quando pensamos em música podemos e DEVEMOS usar esses conceitos também.

Grandes músicos, desde Beethoven até Djavan, já manifestaram inquietação com o desprezos de pausas. “Pausa é Música!” diz a máxima. Imagine uma música sem pausas………………………….. deixa pra lá.

Realmente pause é música, pois a pausa é uma espécie de respiração musical. Ela dá o fôlego necessário para se executar as notas tocadas… que podemos brincar aqui com as analogias e dizer que seria a transpiração musical! 😛

O que imagino de parede de cobogó na música vai além da pausa. Faz parte sim, mas vai além. Devemos enquanto músicos, tratar a música como uma arte viva e não como uma equação matemática, onde 2+2 é sempre igual a 4. Cada nota a mais ou a menos, cada batida a mais ou a menos, cada instrumento a mais ou a menos pode fazer uma diferença imensa no desenvolvimento da música. Como a criação de um filho por exemplo.

Spazzole-brushesMe incomoda bastante quando me deparo com uma situação em que toda a banda sente “necessidade” de tocar todas as músicas o tempo todo. Há momentos que isso será necessário, há momentos que não. Existe aquela situação, e aí falo como baterista, em que é preciso colocar uma parede sólida na música. Tem que ter uma base, marcação… mas em outras situações não precisa que a parede seja sólida, ela deve ser como uma parece de cobogó, com espaço pra ventilação e iluminação da música. Aquele momento onde se escutará e se destacará detalhes (como um dedilhado num violão) que geralmente ficam “embolados” na massa sonora.

Termos como “varrer“, “beliscar“, “pianinho” …. e outros nos dão a dica de momentos onde podemos explorar os cobogós. É como um sinal da música falando conosco que é hora de respirar mais e transpirar menos.

Fica a dica!

Victor Slave
Victor Slave

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