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O Solo

Já faz algum tempo que li uma crônica de Dudu Portes numa Modern Drummer – há uns bons 3 ou 4 anos – onde ele meio que criticava os solos de batera dos tempos atuais.

Um dos grandes mestres da arte das panelas, Portes havia se cansado dos solos “fritados” e cheios de velocidade e… só velocidade mesmo. Claro que tem a técnica, mas técnica tem que ter mesmo até porque é o mínimo que se espera de um solista. Na verdade a grande sacada está em como aplicamos a técnica que temos, não quanto de técnica temos, afinal, espera-se que um músico busque sempre aprimorar a técnica praticando e buscando novas formas de execução, mas a criatividade, o “swing”, o “Feeling”, a pegada não se aprende em métodos.

Na época fiquei interessado e meio que concordando. Busquei então videos de solos pra comprovar (ou não) aquilo que Dudu Portes havia escrito. Hoje concordo totalmente.

Dom Famularo

Os solos de bateria se tornaram realmente maçantes e cheios de repetições de exercícios rudimentares executados em alta velocidade com combinações, mas nada que vá muito além disso. Eu realmente passei a sentir a falta de alegria, criatividade… o batera que se diverte tocando um solo e consegue divertir o público mostrando sua técnica de uma forma descontraída. Uma característica típica de antigos bateristas como Krupa, Buddy Rich e o mestre Dom Famularo.

Eu mesmo sempre curti solos de bateria com alguma base melódica, mesmo que em forma de sample, onde o batera frita em cima dela. O fato de existir um “acompanhamento” faz com que o solo se torne, até por necessidade, mais rítmico e mais legal de se escutar. Um Drum & Bass também cai muito bem.

Neil Peart (Rush)

E para demonstrar o que estou escrevendo vai um videozinho de um carinha que dispensa qualquer comentário; pela história, pela musicalidade, pela técnica e pela velocidade também, até porque ele é inspiração pra muitos fritadores atuais… mesmo que apesar de ser da “velha guarda” é bastante atual no que diz respeito à música.

Fica aqui a dica pros solistas e aspirantes; Vamos tentar mostrar mais daquilo que o batera mais entende que é ritmo e dinâmica. Um solo pode sim ser muito técnico, muito rápido, até agressivo sem precisar ser só batucadas rápidas e sem “vida”.

Apesar do que possa parecer para alguns que estão fora da “elite baterística”, a arte da bateria não consiste em bater, mas em tocar. Vamos bater menos e tocar mais e mostrar como fazemos boa música mesmo sem soprar, teclar ou usar cordas! 😛

Victor Slave

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