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Entrevista: LUFE (Março/2009)

Entrevista concedida por Lufe à revista Modern Drummer por Mauro Tarakdian e Renata Mallmann em Março de 2009.

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MARÇO 2009 • MODERN DRUMMER 49

Grande parte dos bateristas tem como objetivo fazer sucesso e ser reconhecido fazendo parte de uma banda ou com um trabalho próprio. Lufe tocou com bandas importantes do gospel, como Katsbarnea e Oficina G3, gravou álbuns, fez turnês nacionais e internacionais. Então decidiu seguir uma linha diferente, desenvolvendo um trabalho sozinho, fazendo workshops de bateria em diversas cidades do País. Também nos surpreendeu com um trabalho totalmente inusitado: tocar bateria de rock acompanhando músicas clássicas. Com essas experiências, podemos ver que tocar com uma banda não é o único caminho para o sucesso. Confira a entrevista exclusiva da MD com Lufe.


MD: Como surgiu seu interesse por música? O que o levou a escolher a bateria?

Lufe: Quando tinha uns 6 anos de idade, comecei a pedir para o meu pai me ensinar a tocar violão. Depois, aos 7 anos, ele me levou a uma casa de shows, durante a tarde, onde estava ocorrendo uma passagem de som. Foi quando me apaixonei pela bateria.

MD: Você teve apoio familiar quando sentiu o desejo de tocar bateria?

Lufe: Sim. Desde a aquisição do meu primeiro instrumento, que foi uma Gope, tanto quanto o ensino musical.

MD: Você teve algum orientador em seu processo de amadurecimento musical?

Lufe: Na época em que ganhei a bateria, tive um professor, que chamou meu pai e disse: “Tenho uma notícia: o senhor tem um baterista dentro da sua casa. Depois de pouco tempo, mudamos para a cidade de Iguape/SP, onde tive aulas com o baterista Wilson Grimaldi, que na época tocava em uma banda de baile da cidade. Anos mais tarde, quando vim para São Paulo, tive algumas aulas com o Fuca Gomes e de lá para cá foi tudo “de ouvido” mesmo.

MD: Como surgiu a oportunidade de trabalhar com o Katsbarnea? Como foi essa experiência?

Lufe: Quando tive aula com o Fuça, ele era o baterista do Katsbarnea e veio dele a iniciativa de me convidar para fazer um teste na banda. Eu já tinha alguma noção musical, mas não o suficiente para encarar uma banda de nome como o Katsbarnea. Por conta disso, minha permanência na banda não durou muito tempo.

MD: Você já atuou trabalhando como roadie? Como isso aconteceu?

Lufe: Como queria estar envolvido no meio musical da época, não medi esforços e me prontifiquei a trabalhar na parte técnica dos shows. Isso me trouxe experiência e maturidade para me acostumar com todo o ambiente musical. Tocar em casa ou no estúdio é bem diferente que tocar em grandes palcos para muita gente.

MD: Quais foram as bandas de que participou após sua saída do Katsbarnea?

Lufe: Depois que saí do Katsbarnea, entrei para a banda Anno Domini, que era composta pelos irmãos Deio e Duca Tambasco. Toquei vários anos no Renascer Praise (3, 4, 5 e 6), banda Patmus, além de algumas participações acompanhando cantores conhecidos do meio gospel, como Maurílio Santos, Jimena, Soraya Moraes e Mara Maravilha, entre outros.

MD: Esses grupos foram importantes para a sua formação como baterista profissional?

Lufe: Com certeza. Em cada grupo em que entrava me adaptava musicalmente, de acordo com o seu estilo. Isso me ensinou a me comportar em diferentes propostas musicais. Quando tocava em uma banda de rock, usava pegada firme e frases características do rock; o mesmo acontecia com a Patmus, que era uma banda de reagge/ska/pop.

MD: O que o levou a voltar a tocar com o Katsbarnea?

Lufe: Depois de ter amadurecido, estudado e estar mais desenvolvido musicalmente, fui convidado para novamente fazer parte da banda, onde ali permaneci por mais dois anos.

MD: Como surgiu a oportunidade de fazer parte da Oficina G3?

Lufe: Em 1989, o meu pai, que é pastor, convidou uma banda de São Paulo, de uma igreja só de jovens (Tio Cássio), para tocar em um evento evangelístico na quadra de um colégio. Essa banda se chamava Cristo Salva, que um ano depois passou a se chamar Oficina G3. Por conta disso, surgiu uma grande amizade entre mim e os integrantes da banda, entre eles o Walter Lopes (que todos já conhecem), Túlio Regis e o Manga. No período em que atuei como roadie, fui trabalhar com o G3 auxiliando o Walter Lopes nos shows. Tudo isso aconteceu na época do LP da banda chamado Nada Tão Novo – Nada Tão Velho. Depois, em 2002, veio o convite para atuar como baterista contratado.

MD: No meio evangélico existem muitas gigs com vários artistas nacionais e internacionais. Você participou de muitas delas? Quais foram as mais representativas?

Lufe: Tive o privilégio de tocar com vários cantores, mas acompanhar uma música para o Nelson Ned foi algo que me marcou por ele ser conhecido mundialmente. Tratando-se de artistas internacionais, posso citar algumas “fogueiras”. A primeira foi acompanhar o Rick Pantoja (ex-Cama de Gato e que hoje é tecladista em L.A./EUA). Lembro que uma das músicas era uma salsa e não sabia como tocar salsa. Corri para a escola do Fuca e disse: “Meu, preciso aprender salsa em 24 horas!”. Claro que não ficou uma legítima salsa porto-riquenha ou cubana, mas deu para o gasto. A outra gig gringa foi com o vocalista do DcTalk, o Kevin Max, que veio para cá na época do CD Jesus Freak. Montamos um time de última hora: Juninho Afram na guitarra, Duca Tambasco no baixo, Digio (Katsbarnea na época) no teclado e eu na bateria, para tocar três músicas no S.O.S. da Vida para umas 50 mil pessoas. Teve um trompetista também, americano, chamado Phill Driscoll, que veio se apresentar em São Paulo e me chamaram. Na época, me ligaram perguntando se eu podia acompanhar um contrabaixista. Perguntei: “Quem é?”. Fui pego de surpresa quando me responderam que se tratava do Abraham Laboriel!. Foram momentos preciosos que jamais vou esquecer. Conhecer o Abraham foi muito legal, ele deu uma aula de humildade e musicalidade.

MD: Percebemos uma grande competição (saudável) entre os bateristas do meio gospel americano. Inúmeros bateristas relatam em suas entrevistas para a MD americana que isso é muito comum por lá. Inclusive relatam a dificuldade de ingressar no meio musical comercial pelo excesso de informação que estão acostumados a imprimir nas músicas. O comentário feito por Brian Frasier-Moore (atual baterista da Madonna) é impressionante: “Na igreja, cresci tocando uma música inteira mostrando toda a minha habilidade. No fim dela eu havia tocado tudo que sabia. Essa abordagem é normal nesse ambiente. Se você toca um groove simples, eles pensam: O que é isso?”. Isso também ocorre no Brasil?

Lufe: Penso que, por conta dessa influência norte-americana, isso está acontecendo aqui também. Não é durante os cultos que se deve demonstrar toda a sua habilidade musical individualmente. A ênfase de um culto não está voltada para o virtuosismo de cada músico e sim para o sentido de você adorar e louvar a Deus através da música como um todo. Acredito que se você quer ser um músico virtuoso e habilidoso, escolha outro lugar para demonstrar essas qualidades, que não seja durante o louvor de um culto. Lembro que fui fazer um workshop em uma igreja e o contratante me pediu para tocar no culto que ia acontecer logo após o evento. Depois que acabou a parte musical, que chamamos de louvor, ele disse: “Puxa, você tocou de uma forma tão simples”. Com relação à competição, sinceramente, ainda não me adaptei a esse tipo de situação. Enquanto alguns músicos esperam a chegada da feira da música para se enfrentarem em verdadeiros “duelos”. Eu, até o ano passado, me considerava um “feirafóbico”. Isso mesmo, aquele que tem pavor de tocar em feiras da música, onde todos ali são músicos e estão te avaliando segundo a segundo. Lembro que em um ano, o Oficina G3 foi se apresentar no palco principal da Expomusic e, depois da passagem de som, fomos embora. Percebi que tocar na feira era um problema quando não conseguia sair de casa para o lugar do evento. Para encurtar a historia, o show atrasou por minha culpa, porque, depois de muita negociação da minha esposa e dos caras da banda, resolvi encarar o problema! Hoje em dia já me considero curado dessa fobia, graças a um tratamento de choque! Na minha apresentação do ano passado, no estande da Sonotec, tive um problema na porta firewire do meu computador, que perdia a conexão com a placa de áudio a todo o momento em que soltava os play-alongs. O auditório estava lotado, cerca de 350 pessoas, ali, paradas, esperando a minha perfomance e a todo o momento a música parava por menos de 1 segundo e continuava do ponto que tinha parado, ou seja, não dava para continuar tocando. Depois de várias tentativas inúteis, objetivando sanar o problema, desencanei e disse para a galera: “Qualquer outro músico, em plena feira da música, não tocaria nenhuma música dando problema no play-along, mas por consideração a vocês, vou tocar assim mesmo!”. A galera gostou bastante e ainda ficou lisonjeada.


MD: Como surgiu a ideia de tocar bateria acompanhando músicas clássicas?

Lufe: Para quem ainda não sabe, além da música sou funcionário público e um dia mostrei para o meu chefe um solo que eu fazia sobre uma peça de Beethoven. Ele achou muito legal e me perguntou por que não desenvolvia esse estilo. Percebi que quando mostrava as músicas para as pessoas ouvirem, elas demonstravam muito interesse, então a ideia foi levada adiante com o trabalho do DVD.

MD: Que critérios você utilizou para selecionar as músicas mais adequadas a serem acompanhadas pela bateria com um sentimento mais rock?

Lufe: Precisava de músicas que tivessem grande quantidade de eventos, alterações de dinâmica e grande diversidade rítmica, para que eu pudesse dar uma ênfase na bateria e não tocá-la inexpressivamente.

MD: Como foi feita a seleção das músicas para a criação do seu DVD recém-lançado Drummed On Classics?

Lufe: Depois de ouvir centenas de músicas, fui separando aquelas que senti que daria para fazer uma levada interessante na bateria. As dez músicas selecionadas para o DVD ficaram com um aspecto totalmente atual e com uma linguagem voltada para o rock.

MD: Qual foi sua abordagem ao criar as linhas rítmicas na bateria sobre as músicas já existentes? Você tocou sobre os temas originais ou editou as partes?

Lufe: Na maioria das músicas em que existe uma levada com pedal duplo, os baixos ou os violinos estão fazendo a mesma divisão rítmica. Outras vezes, era algum outro instrumento da orquestra que dava a acentuação necessária para que se criasse um evento percussivo. É um trabalho muito difícil, criterioso e de muita paciência. O objetivo não é cometer nenhum “crime musical”, mas sim fazer com que essa junção torne-se algo agradável e de um nível elevado de execução. Algumas músicas são temas originais; em outras, foi necessário fazer alguma edição, até porque existem músicas que são muito longas e outras que têm muitas repetições. Como a ideia não era criar algo cansativo, deixei que as músicas não ultrapassassem os 4 minutos de costume.

MD: Como é feita a distribuição do seu DVD?

Lufe: Exclusivamente pelo meu site http://www.lufe.com.br. Eu mesmo os coloco individualmente nos Correios, com autógrafo e dedicatória!

MD: Como você viabilizou a produção do Drummed On Classics? Teve algum apoio ou foi um projeto independente?

Lufe: Foi um projeto independente com o apoio das marcas que me patrocinam.

MD: Você costuma fazer workshops?

Lufe: Sim. Em 2007 posso dizer que viajei do Norte ao Sul do Brasil fazendo workshops pela Krest, desde o Acre até o Rio Grande do Sul. O mais interessante é que não importa o lugar, pode ser em uma igreja, escola de música ou loja de instrumentos musicais, o workshop acontece, a galera comparece, prestigia e participa.

MD: Para você, que apenas tocava acompanhado da banda no palco, como foi iniciar uma nova fase fazendo workshops sozinho?

Lufe: Tive de me acostumar a tocar em workshops porque a “pegada” é outra, é totalmente diferente. Nos shows, o contato com o público é bem distante. O ambiente, além de ser maior, é meio escuro, com fumaça e luzes coloridas. Já nos workshops, o público fica bem próximo e quer ver o mesmo músico dos palcos tocando ali na frente, ainda que você esteja em uma loja de instrumentos musicais ou em uma pequena sala de uma escola de música. Foi meio difícil acostumar com isso. Outra abordagem interessante é poder conversar com a galera, ter uma proximidade maior, tirar dúvidas, dar alguns esclarecimentos e fazer novas amizades.

MD: Você tem apoio de alguma empresa? Como avalia a relação comercial entre artistas e empresas?

Lufe: Tenho o apoio de grandes amigos, que são mais do que parceiros. São eles: pratos Krest, baterias Gretsch, peles Michael, baquetas Alba, P.A. Attack Áudio System, cabos Wiredconex, customização de baterias AeroRic, tênis Urban Boards e estojos Ale Bags. Quando falamos que é uma parceria, é porque realmente trabalhamos juntos. É como se você fosse o funcionário da empresa, que tem de vestir a camisa e fazer o máximo possível para que a marca apareça em todo lugar do Brasil. Não existe nada mais gratificante do que saber que, depois que você fez um workshop, as vendas de uma das “suas” marcas aumentaram, justamente por conta da sua apresentação. Lembro que fui fazer um workshop em Maringá/PR e no dia seguinte um rapaz foi até a loja e pediu um kit de pratos exatamente igual ao que eu tinha usado no dia anterior.

MD: Quais são seus projetos musicais para o futuro?

Lufe: Mais para o fim do ano, ou no começo do ano que vem, quero fazer uma videoaula de nível intermediário, abordando as técnicas que utilizei na gravação do meu DVD e com alguns princípios básicos da bateria, além de começar a seleção das músicas do Drummed On Classics, vol. 2.

MD: O que a revista Modern Drummer representa para você?

Lufe: A MD teve o mérito de ser uma das revistas pioneiras em bateria e é consagrada no mundo musical. Não há como esquecer os primeiros exemplares, em inglês, que comprei quando ainda era pequeno. Hoje, para mim, representa muito estar aqui.

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KIT de Lufe


Bateria: Gretsh Catalina Maple
com acabamento personalizado AeroRic na cor preto flake (com pigmento que muda de cor conforme a incidência da luz) e silver sparkle.

A. 6”x17” octoban custom
B. 6”x21” octoban custom
C. 8”X7” tom (modelo Catalina Ash)
D. 10”x8” tom
E. 12”x9” tom
F. 14”x14” floor tom
G. 16”x16” floor tom
H. 14”x61/2” caixa maple S6514MPL
I. 22”x18“ bumbo

Pratos: Krest

1. 14” Fusion medium hi-hat — 2. 18” Fusion china — 3. 18” Fusion medium crash
4. 6” N splash — 5. 8” Fusion splash — 6. 12” N china sobre 12” N splash
7. 6” H Nat bell virado — 8. 21” Fusion Power ride — 9. 13” Fusion 13“ medium hi-hat
10
. 18” Fusion Power crash — 11. 20” Fusion china

Peles: Michael

  • Na parte superior dos toms e caixa, NPOM;
  • Na parte inferior, peles originais que acompanham o kit.
  • No bumbo, NPRM (tensão média) com almofada de abafamento; na parte frontal, pele com logo customizado.

Ferragens:

  • Pedal DW5002 Delta 3 Accelerator
  • Máquina de hi-hat Pearl H-850
  • Estante de caixa Gibraltar 9606 Ultra Adjust Snare
  • Pedestais Gibraltar 6609 girafa e 6610 reto
  • Extensores Tama MCA63EN e Michael HM054
  • Clamps Michael HM041
  • Banco Mapex T755A.

Baquetas: Alba 2B Lufe Signature

Microfones:

  • Toms e floor toms: Sennheinser E604
  • Octobans: Shure SM57
  • Caixa: Sennheinser E604
  • Caixa boton: Shure SM 57
  • Overs: MXL 991
  • Bumbo: Shure Beta 91

Eletrônicos: Interface de áudio: MOTU 896 MK3+ADA 8000

Multicabo 20 Vias Wired Conex

Notebook: Dell Inspiron 1420

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Veja a Biografia de Lufe

Veja a Entrevista em Pdf.

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