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Entrevista: RENATO SIQUEIRA

Entrevista concedida por Renato Siqueira a Marcos Fumagalli em setembro/2010.

Marcos Fumagalli criou um tópico no Fórum para que os usuário pudessem enviar suas perguntas ao grande baterista Renato Siqueira. O resultado deste trabalho você confere abaixo:
Foto por Lucas Martins de Mello

Site Batera: Renato, quais são suas influências? Todos metaleiros tipo George Kollias, com a pegada e velocidade absurda nos pedais?
Renato Siqueira: Por incrível que pareça, eu não me considero um “baterista de metal”, apesar de atualmente tocar apenas em uma banda de metal. Mas eu sempre toquei vários estilos musicas, e já fiz gravação de tudo que é possível imaginar! Eu não me sinto influenciado por este tipo de baterista, apesar de admirá-los, pois eu não busco velocidade, eu busco criatividade. Carter Beauford, Mike Portnoy, Carlos Balla, Neil Peart, Maurício Leite, Serginho Herval, Pascoal Meireles, Justin Foley, Benny Greb, Alexandre Cunha, Mike Bordin…. estes caras me influenciam muito mais que os “super bateras de metal”.

Site Batera: Você começou a tocar bateria por causa de quem?
Renato Siqueira: Eu cresci em um ambiente muito musical, pois meu pai sempre ouviu muita música boa! E apesar de ele não ser músico, ele sempre toucou violão em casa, então, naturalmente sempre quis tocar algum instrumento. Eu já tinha vontade de tocar bateria, brincava montando kits de almofadas e imitando os vídeos de shows que tinha em casa, mas em 1994, num show do Aerosmith no Brasil, após um solo do Joey Kramer, decidi que queria fazer aquilo da minha vida. E desde então, nunca mais parei.

Site Batera: Qual foi seu primeiro endorsee e como aconteceu?
Renato Siqueira: Era uma empresa que fabricava réplicas de baquetas, e entrou em contato comigo pra ver a possibilidade de fazermos algum trabalho juntos. Então eu desenvolvi meu modelo próprio, recebi uns 30 pares, e um tempinho depois, a empresa desistiu do ramo musical. Era no nordeste a fábrica, mas eu nem lembro o nome. Fazem mais de 10 anos.

Site Batera: Como e quando você decidiu que seguiria a vida de músico, mesmo com as dificuldades que a profissão encontra no Brasil?
Renato Siqueira: Quando queremos ser bem sucedidos profissionalmente, sempre existem dificuldades, não importa o ramo que você atue. Claro que, o fato de lidar com arte e cultura em um país como o nosso é um agravante, e eu sempre estive muito ciente destas dificuldades, mas nunca me abalei por isso. Acho que todo trabalho bem feito, honesto, feito com coração, cedo ou tarde, terá reconhecimento. Lá em 1994, quando decidi que queria fazer isso profissionalmente, me preparei todos os dias da minha vida pra isto!

Site Batera: Já fez shows fora do país? Como foi a sensação de “viajar para tocar”?
Renato Siqueira: Infelizmente nunca sai do Brasil para tocar, apesar de várias “quase” oportunidades, mas é algo que deve acontecer naturalmente. Já me sinto realizado de poder viajar pelo Brasil mostrando meu trabalho.

Site Batera: Como começou os contatos e o início da construção do Air Control System da Odery?
Renato Siqueira: Começou com um email para o Maurício Odery, no dia 03/04/2003, às 12h22min (tenho todos os emails impressos e arquivados), onde fiz uma sugestão de uma caixa ventilada, onde fosse possível controlar a sua saída de ar. Eu já usava caixas da Odery desde 1999, e sempre fui fã da marca, então, naturalmente, só a Odery poderia realizar esta minha loucura. E então, em setembro daquele mesmo ano, lá estava eu, pela 1ª vez em SP, vendo o lançamento da caixa na Expomusic.

Site Batera: Conte-nos um pouco de sua história antes de ter/tocar batera
Renato Siqueira: Antes de tocar bateria eu era um cara normal (não que hoje não seja), estudava, jogava futebol, e como toda criança, queria ser jogador de futebol, e cheguei a jogar em alguns clubes pequenos, mas nada profissional. Como me interessei muito cedo pela música, meu foco sempre foi ser um baterista profissional.

Site Batera: Você possui alguma meta / sonho como batera?
Renato Siqueira: Meu sonho eu realizo diariamente! Eu me sinto privilegiado de poder fazer música, de ter tantas empresas que me apóiam, de poder tocar com os melhores parceiros de banda que poderia ter!Eu sonho em ser bem sucedido, ter uma carreira internacional, fazer shows e workshops em todos os lugares do mundo, gravar com muitos artistas diferentes, etc. mas eu dou um passo de cada vez, com muita calma, responsabilidade e humildade.

Site Batera: Como você se aquece?
Renato Siqueira: Eu me aqueço com alongamentos de pernas, braços, costas e pescoço, e faço toques simples, duplos, rudimentos, com as mãos e os pés. Em média uns 30 minutos antes de tocar. No verão este tempo pode ser menor, e no inverno, maior. O importante é estar relaxado para agüentar horas de gravação ou a intensidade de um show da It’s All Red.

Site Batera: Fale um pouco sobre o seu set.
Renato Siqueira: Meu set é muito vasto, como todos sabem. E por incrível que pareça, eu estou sempre procurando espaço para acrescentar alguma coisa. Eu poderia tocar com 4 tambores e 4 pratos, mas eu gosto de ter inúmeras possibilidades no meu set, é um desafio inconsciente tentar compor músicas sem muitas repetições, e ter um set grande me ajuda nesta hora.
Atualmente uso uma bateria ODERY Custom (8”x7”, 10”x8”, 12”x8”, 13”x11”, 16”x16”, 18”x16”, 22” x18” e duas caixas ACS, 14”x6½” em Solid Block e 14”x5½”), peles EVANS (EC2 SST / Uno G1 nos tambores, Emad clear / EQ3 no bumbo, EC Snare / Orchestral na caixa em Solid Block e Reverse Dot / Hazy 300 na outra caixa), esteiras PURESOUND (modelos Equalizer e Blaster na Solid Block), pratos MEINL (8” Classics bell, 8” Classics splash, 10” MB10 splash, 8”/10” Generation X electro stack, 13” Byzance fast hats, 14” Byzance médium hats, 14” Classics china, 15” Generation X china crash, 16” Byzance china, 17” e 18” Byzance mediun thin crash, 18” Byzance mediun crash, 18” Classics thin crash, 18” MB20 rock china e 20” MB10 bell blaster ride), uso um rack BMA de 4 lados, pedal duplo AXIS modelo AL2-CB,  tênis URBAN BOARDS modelo Dennis Chambers, cases HELLOCASES, capas TETO-PRETO, estou usando um protótipo de baquetas LIVERPOOL que serão meu modelo Signature, ela terá 420 mm de comprimento x 15 mm de espessura. Também tenho apoio da loja BATERA STORE.

Site Batera: Como foi o início da sua carreira?
Renato Siqueira: No começo eu não tinha pratos, até que meu irmão gêmeo (Rafael Siqueira, guitarrista da It’s All Red e produtor musical) comprou um set de pratos Meinl Meteor usados pra que a gente pudesse ir pra estúdio tocar covers de Metallica, Sepultura, Pantera e outras bandas que gostávamos na época. Fizemos alguns shows e pouco tempo depois fiz um teste para tocar na banda Malediction, que era bem conhecida na época. O teste era tocar as músicas War Ensemble do Slayer e Troops Of Doom do Sepultura. Na mesma hora fui admitido na banda e fizemos muitos shows, gravei duas demos e um CD com eles, até que em 1999, a banda acabou.

Site Batera: Como você usa aqueles crashes tão finos e eles duram tanto tempo sem amassar/rachar?
Renato Siqueira: Quando eu comecei a tocar, usava baquetas 2B, anos depois, passei para 5B, depois 5ª e depois, por muitos anos, usei o modelo POP da Liverpool (que é menor que uma 5A). Agora, meu modelo Signature da Liverpool é um meio termo entre uma 5A e uma 5B, ou seja, é uma baqueta versátil, e não muito pesada. Existem maneiras de golpear o prato de forma que ele não rache. Felizmente rachei pouquíssimos pratos em minha carreira, isso acontecia com mais freqüência quando usava pratos nacionais.

Site Batera: Por que sempre tem um B8 no seu kit?
Renato Siqueira: Sempre fui apaixonado por pratos, e o que mais me importa é a sua sonoridade, não o material de que são fabricados. O B8 possui uma sonoridade mais aguda e “ardida” do que o B20, e eu gosto de ter esta possibilidade sonora disponível no meu set.

Site Batera: Você desde o começo sempre pensou em ser baterista de metal? Ou já faz gigs dentro de outros estilos?
Renato Siqueira: Eu sempre ouvi metal, mas também sempre ouvi muitos estilos diferentes. Paralelamente às minhas bandas de metal, sempre toquei pop, rock, MPB. Já fiz show de reggae, de forró, de MPB, de rock, de covers, e já fiz gravações dos mais variados estilos musicais, até de trilha sonora para teatro infantil!

Site Batera: Você só toca bateria? Ou começou tocando outro instrumento até chegar nela?
Renato Siqueira: Toco só bateria, brinco na percussão, e pego um violão ou guitarra e sei tocar umas 5 notas, no máximo (risos)! Gosto de brincar com melodias no piano também, mas não sou muito bom não.

Site Batera: Como é seu treino de batera e como foi o antes e o depois dos contratos para endorsee?
Renato Siqueira: Eu pratico bastante em pad, tento focar nos rudimentos principais, flams, drags, toques  simples, duplos, triplos, quádruplos, e gosto de tocar junto com CDs das minhas bandas preferidas. Procuro me desafiar, tentando fazer coisas que eu tenho dificuldade. A diferença de antes e depois dos endorsees, é que a sua responsabilidade aumenta, pois existe um contrato á ser cumprido, você passa a representar uma empresa, tem obrigações, as coisas passam a ser mais profissionais.

Site Batera: Quais foram seus professores?
Renato Siqueira: Nunca tive professores, nunca fui a uma aula de bateria, nem sei como são aulas de bateria. O que eu sempre fiz, foi ler muito, tudo que posso sobre bateria, ver muitos vídeos e ir a todos os workshops que estejam ao meu alcance. Trocar informações e ter humildade para aprender sempre também é muito importante. Mas eu pretendo, ainda este ano, estudar com alguns amigos que são ótimos professores. Existem 3 caras que eu quero muito poder estudar um pouco: Northon Vanalli, Luke Faro e Carlos Balla.

Site Batera: Você acha que qualquer pessoa que estudar muito toca como você ou tem algum segredo? Dom? Talento?
Renato Siqueira: Acho que todos possuem a mesma possibilidade. Alguns com mais facilidade em determinadas coisas, mas todo mundo é capaz. Qualquer um que estudar pode tocar mais que eu ou qualquer pessoa! Nós que nos impomos limite, o que tocamos é reflexo de nossa dedicação ao instrumento!

Site Batera: Sei que você já tocou com uma banda chamada MORALES, aqui de Porto Alegre? Que fim levou a banda? Era uma banda seria? Sei disso porque eu até já toquei em um festival com você há muito tempo atrás e você já descia a lenha na batera. Era uma banda de hardcore”
Renato Siqueira: Acho que era uma banda séria sim, e até onde eu sei, a banda acabou há alguns anos. Na verdade eu nunca fui um membro da Morales. Eu sempre fiz gigs com muitas bandas, e eles me contrataram para tocar na final de um grande festival de música (isso foi em 2002 ou 2003, não foi?). Acabamos em 1º lugar, e estou até hoje esperando a premiação (gravação de CD, telefone celular e viagem para o Nordeste)!

Site Batera: Você vive somente de música mesmo?
Renato Siqueira: Não, eu não vivo somente de música. Sou gerente administrativo em uma empresa em horário comercial, e além de baterista, faço muitas outras atividades ligadas à música, como prestar consultoria para importadoras, fábricas, lojas, faço workshops, gravações, shows como sideman, etc… É muito difícil viver de música como músico independente, e manter um padrão de vida e de investimento no seu trabalho (quem tem banda independente sabe o quanto isso é caro). Eu me organizo de forma que, tudo que eu ganho com a música, seja revertido para minha carreira como músico. Com fotografia, vídeo, equipamentos, gravações, aprimoramento e tudo o mais.

Site Batera: Qual empresa foi mais ” amiga” quando te patrocinou, te deixou totalmente livre pra escolher os produtos e qual (quais) empresa você sonha acordado em ser patrocinado!
Renato Siqueira: Felizmente, todas as empresas que trabalho são 100% amigas e parceiras! Me apóiam sempre, até quando estou com algum problema particular, elas me ajudam, ligam pra saber como eu estou, mostram que é uma relação muito mais do que comercial!
Em todas elas eu sou livre pra escolher o que irei usar, e é por isso que existe a parceria, pois ela é recíproca e sincera. Eu só uso produtos que eu realmente usaria, mesmo sem ser endorsee.
Eu nunca sonhei em ter determinado patrocínio, acho que quando um músico toca apenas pensando nisso, a música é deixada de lado. O patrocínio é uma conseqüência de um trabalho bem feito!

Site Batera: Quantos anos de carreira profissional?
Renato Siqueira: Considero que em 1995, quando passei q receber cachê para fazer shows e fiz minhas primeiras gravações, seja o começo da minha carreira profissional. Portanto, em abril de 2011, farei 16 anos!

Site Batera: O salário de musico profissional é suficiente pra te deixar motivado em morrer sendo musico profissional?
Renato Siqueira: Acho que o dinheiro não é o que move um músico (ou artista em geral)! Qualquer pessoa que pensasse friamente iria estudar e fazer um concurso federal, ter uma vida estabilizada. Mas a música tem todo o amor envolvido, e isso vale muito mais do que dinheiro! Apesar de encarar a música profissionalmente, e por isso, cobro para fazer meu trabalho, como um profissional de qualquer área.

Site Batera: Como funciona seu método de composição das linhas de bateria? Você cria os grooves e sugere ao restante da banda, ou cria a partir da guitarra, por exemplo?
Renato Siqueira: Não existe uma regra. Algumas vezes  eu tenho idéias e crio levadas mentalmente, chego ao estúdio e as executo (geralmente  é preciso estudar um pouco pra fazer soá-las da maneira como imaginei). Então mostro pro pessoal da banda e as músicas nascem a partir daí.  Na maioria das vezes o Luis (guitarrista da It’s All Red) me apresenta riffs que ele criou junto com o Rafael Mallmann (baixista da It’s All Red) e com o meu irmão, e então eu componho algo em cima. Também acontece de eles programarem a idéia de levadas e eu criar algo a partir da visão deles.

Site Batera: Sua família te apoiou quando começou a tocar ou foi contra?
Renato Siqueira: No começo, no meu primeiro show, eu tinha menos de 15 anos, e minha mãe não queria que eu fosse fazer o show (que era à tarde, num salão paroquial!), até que a convenci que seria apenas este show e nunca mais iria tocar. Depois do show, meus pais estavam na platéia bem orgulhosos. Desde então, apesar de não contar com apoio financeiro, sempre me apoiaram nas minhas decisões, e sou eternamente grato a eles pela minha criação, pelo meu caráter e pelos exemplos que sempre tive em casa.

Site Batera: Quais suas maiores virtudes e maiores defeitos?
Renato Siqueira: Acho que meu maior defeito é ser perfeccionista e exigente comigo mesmo! Minha maior virtude é determinação, sem dúvida.

Site Batera: Como você se vê daqui a 5 anos?
Renato Siqueira: Eu me vejo como um músico melhor, mais maduro, com uma discografia ainda maior com a It’s All Red e com muito mais bagagem. Espero estar vivendo exclusivamente de música até lá.

Site Batera: Já fez faculdade? De que?
Renato Siqueira: Entrei na faculdade de Ciências Contábeis, fiz uns 5 semestres e tranquei por falta de tempo, a música ocupa bastante tempo na minha vida e eu não posso abrir mão de tudo que estou realizando na minha vida. Mas ainda pretendo terminar um curso superior.

Site Batera: Já teve alguma vez que ficou bastante tempo sem toca bateria? Por quanto tempo?
Renato Siqueira: Em 1999, eu fiquei quase 3 meses sem tocar, pois estava sem banda, e não apareciam trabalhos, e eu estava desanimado. Foi o Luis Volkweis que me ligou e me convidou pra montar uma banda só pra se divertir, tocando covers de Live e reacendeu a música na minha vida. Este ano fiquei um mês (casualmente, este mês) sem tocar em decorrência de uma cirurgia, mas já estou voltando ao ritmo normal.

Site Batera: Um momento divisor de águas na sua carreira?
Renato Siqueira: Na verdade, existem dois momentos muito marcantes na minha carreira! Um foi quando fui pra São Paulo pela primeira vez, em 2003, para o lançamento de uma caixa da Odery inventada por mim, ali eu percebi que as coisas estavam tomando proporções maiores!
E a outra foi quando eu perdi um set up de bateria em um incêndio. Eu tinha feito uma gravação em um estúdio, e no outro dia tinha show, então deixei parte da bateria (3 tons, um surdo e um bumbo) no estúdio, e nesta madrugada, ele pegou fogo. Houve uma campanha de amigos, familiares, empresas que me apoiavam na época e todo o pessoal deste fórum, uma mobilização de proporções inacreditáveis, que permitiu que eu tivesse todo meu equipamento reposto, e isso me deu ainda mais gana de seguir adiante na música! Sou eternamente grato à todas pessoas que me ajudaram, a maioria, eu sequer conheço pessoalmente!

Site Batera: Qual foi a coisa mais doida que já te aconteceu?
Renato Siqueira: Ano passado, houve uma enquete, para ver qual banda ga úcha devia abrir o show do Faith No More. Mas era uma enquete de um blog, não era nada oficial, e a minha antiga banda (Véspera) foi eleita, e acabamos ironizando isso abrindo um show do Faith no more Cover (que eu era o baterista). E então, uma bela noite o baixista da minha banda me fala: entra no blog e leia o que está escrito. E então foi noticiado que a Véspera iria abrir o show do Faith No More, com a escolha sendo feita pela própria banda! Foi uma sensação muito boa, e todo o show e os acontecimentos que se desencadearam depois disso foram ótimos! Com a It’s All Red vencemos a eleição oficial para abrir o show do Metallica, mas por algum motivo que desconhecemos, outra banda acabou sendo chamada.

Site Batera: Você sofre algum tipo de preconceito por tocar esse tipo de música no Brasil?
Renato Siqueira: Felizmente, isso não é tão comum hoje em dia. Sou respeitado pelo trabalho que faço e não me sinto melhor, nem pior, que ninguém. Quando algum baterista de outro estilo se acha melhor por tocar determinado estilo, eu não me afeto. Sei das minhas limitações, e sei das minhas qualidades. Não teria receio de tocar ao lado de nenhum baterista do mundo, nem dos maiores mestres da história.

Site Batera: Em que projetos/bandas você faz parte nesse momento?
Renato Siqueira: Atualmente eu sou exclusivamente baterista da It’s All Red, mas sigo fazendo gravações com várias bandas e eventualmente, shows como músico contratado.

Site Batera: Quantas horas você estuda por dia/semana?
Renato Siqueira: Não sou muito estudioso. Eu tento todos os dias tocar um pouquinho, pelo menos no pad. Mas o normal é eu tocar entre 6 e 10 horas na bateria por semana, e todos os dias no pad. Às vezes a rotina de shows não permite uma rotina de prática, e quando eu chego em casa, eu só quero descansar e curtir o momento de folga com minha namorada.

Site Batera: Qual seu prato predileto?
Renato Siqueira: Eu adoro comer boa comida. Difícil escolher um só prato, mas acho que o clássico, arroz, feijão, bife e saladas é o que mais me satisfaz. Mas eu gosto de quase tudo, e sou um ávido devorador de doces!

Site Batera: Você costuma pegar grooves emprestados dos seus ídolos quando está compondo?
Renato Siqueira: Claro que sim! Não os toco exatamente da mesma maneira, mas me inspiro em muitos bateras sempre. Mas me preocupo muito em manter minha identidade quando toco.

Site Batera: Renato, fale um pouco sobre a cena “baterística” do sul do Brasil, mais especificamente Porto Alegre.
Renato Siqueira: Acho que o sul é um celeiro de ótimos bateristas. Eu conheço um incontável nº de ótimos bateristas, de todos os estilos possíveis. O nível é cada vez mais alto, e eu sinto que hoje em dia, existe muito mais cooperativismo, do que competitividade. Eu sinto isso em todos os amigos e colegas de profissão. Sinto-me orgulhoso de poder dizer que nunca passei por cima de ninguém pra chegar aonde eu cheguei. Mas sempre existem pessoas invejosas, que criticam e falam mal, apenas por não ter conseguido chegar ao seu nível, mas este tipo de gente, apenas me estimulam a ser um músico ainda melhor!

Site Batera: O que é “Ser um Baterista bem Sucedido” pra você?
Renato Siqueira: Ser bem sucedido é fazer o seu trabalho e poder viver dignamente com isso. Mas isso é algo muito pessoal. Eu, por exemplo, invisto em música autoral, pelo simples fato de que não quero me “acomodar” e tocar cover na noite pra ganhar a vida. Mas EU penso assim, e não vejo nada de errado em tocar covers (eu mesmo já fiz isso muitas vezes). Mas eu ainda sou um “romântico” que sonha em viver da sua própria música, por mais difícil que isso pareça.

Site Batera: Quais os seus planos para os próximos meses?
Renato Siqueira: Eu pretendo gravar vídeos executando as músicas do novo CD da It’s All Red (baixe gratuitamente em www.itsallred.com), e futuramente, gravar um DVD. Seguimos na divulgação deste novo álbum e já começaremos a trabalhar em cima de algumas idéias novas que temos na cabeça. Também irei gravar algumas músicas com outras bandas, nos próximos meses, como músico contratado. A Véspera irá lançar o CD nos próximos meses, e apesar de eu não mais fazer parte da banda, gravei todas as baterias e o clipe, que já está rodando na MTV.

Fonte: Site BATERA

Victor Slave

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