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A Origem

É muito comum, quando se trata de arte, ver o artista falar de influências.
Quem (ou o quê) o influenciou, de onde vem sua inspiração, como chegou até o ponto que está agora…
Tenho certeza que você também já viu muito entrevistador fazer esse tipo de pergunta.
De fato ajuda a entender melhor o artista e sua arte, se soubermos as origens de ambos… Mas o que de fato é a “origem” do artista?

Imagina-se que origem de alguém inicia-se quando essa pessoa nasce e passa a receber influências de inúmeras formas possíveis. Se é assim que começa, então quando termina? Quando é que esse período de formação da “personalidade artística” se conclui?

A resposta é tão simples quanto óbvia: NUNCA!
E digo mais: a A origem das influências que recebemos está bem antes do nosso nascimento! [é cientificamente comprovado que, ainda no ventre, a criança em formação já recebe e absorve inúmeras formas de estímulos e que esses estímulos influenciam a criança após o nascimento].

Apesar de toda essa intro, não quero falar sobre as origens, mas sobre a continuidade.
… e também não quero falar de todos os artistas; quero falar dos músicos… mais ainda, dos bateristas.

Quando alguém decide que quer aprender a tocar bateria, é lógico que estilos-1essa pessoa gosta de música. Até mais lógico ainda que essa pessoa (como todas as outras) tem preferências, gostos, afinidades fora e especialmente (para o que nos interessa) dentro da música. E é de se esperar que essa pessoa almeje tocar as canções de sua banda ou artista preferido(a). Não vou falar nada contra isso… isso não é ruim ou errado, pelo contrário, isso é ótimo. Isso é na verdade a porta de entrada dessa pessoa pra música. Pode-se dizer que isso é a “Origem Musical” dessa pessoa.

rgr2007_0034Quando eu comecei a tocar, eu queria tocar rock. Qualquer rock… contanto que fosse rock. Tinha sim minhas bandas preferidas, mas n fui tão exigente, só queria poder dar uma “espancada” nas panelas e mandar ver.
Eu alcancei esse objetivo bem rápido. Em 4 ou 5 meses eu já tocava rock… Basicão como eu queria, mas tocava… e no quesito “espancar” eu era PhD. Só que nesses 4 ou 5 meses muita coisa aconteceu na minha relação com a música.

Na busca por aprender algo, as coisas que estavam ao redor começaram a me influenciar ewp_20161006_015 quando cheguei no ponto que eu inicialmente queria chegar, eu não queria mais espancar, eu queria tocar… eu não queria tocar qualquer rock, eu queria tocar os meus preferidos, os mais trabalhados… depois de um tempo eu queria tocar algo além de rock… e depois eu queria melhorar meu controle, minha pegada, minha técnica, aceleração… eu já não queria só tocar, eu queria poder tocar e cantar enquanto tocava… e depois tocar e cantar não era mais o suficiente, eu queria escrever, eu queria ler música, eu queria entender música… eu queria entender a linguagem dos outros instrumentos mesmo sem ter que necessariamente aprender a tocar eles.

Enfim, isso é um exemplo de como a música é viva e cresce dentro da pessoa que vai fundo nela. Quando você chega num determinado ponto, a arte viva dentro de você, não te deixa conformar-se com “formas básicas” … você passa a querer mais … por que ficar nas formas básicas de um quadrado, círculo ou triângulo, se eu posso viajar com mais profundidade num cubo, esfera ou pirâmide? [se é que você me entende :P]

A diferença entre algo simples tocado por você e algo igualmente simples tocado por um outro baterista está na forma como cada um enxerga a música e isso é consequência das coisas que nos influenciaram e que nós absorvemos, agregando aquilo à nossa arte… ou não.

Nós temos nossas preferências musicais, e isso é totalmente legítimo, mas não é legal deixar passar a oportunidade de aprender coisas com as quais não temos afinidade, seja por gosto pessoal ou mesmo porque nunca tivemos contato com determinado estilo musical.

10Neil Peart (baterista do Rush), em entrevista à revista Modern Drummer, disse algo que eu nunca esqueci e que meio que transformei numa máxima aplicável a todos os estilos musicais. Ele disse:

“Ter estudado Jazz por um tempo, me fez um baterista de rock muito melhor”.

Então finalizando, abra seus horizontes! Continue tocando o que você gosta, mas busque fazer isso sempre da melhor maneira e, se possível (por favor, faça isso!!!), coloque VOCÊ na sua arte. Se a sua arte for uma “reprodução” da arte de outra(s) pessoa(s), você não passará de um rádio que toca o que recebe pelo sinal da antena… seja o que envia o sinal!

Seja extremamente INFLUENCIADO

ABSORVA o que for bom, use isso como INGREDIENTE

CRIE a SUA arte…

… e SEJA INFLUÊNCIA para outras pessoas!

2017-31-1-03-16-27

Victor Slave

ps.: sim, eu estava pensando no filme “A Origem” quando eu escrevi esse post! 😛

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Back To School

Depois de algum tempo sem postar por aqui, retorno pra falar sobre algo que também não fazia há algum tempo: Ter aulas!

12118706_1065830686762529_2564413827811957127_nA correria dos shows, ensaios e aulas dia após dia acaba nos tirando o tempo coisas que deveríamos nos dedicar mais, uma delas, estudar. Estudar o instrumento, estudar música, estudar o corpo dentro do universo da bateria, enfim, evoluir.

Meses atrás tive, enfim, uma “brecha” de tempo e dinheiro e decidi dedicar uma parte deles a ter aulas com alguém. Realmente eu não sabia por quem começar, conhecia tanta gente boa, mas parecia que não conseguia encaixar as coisas, atém encontrei um brother que tinha definitivamente o que eu precisava: Conhecimento, Técnica, Experiência e Didática. Agora mãos à obra!

Como resumi mais acima, estudar é evoluir e eu definitivamente tenho essa sede de evolução.WP_20151027_005 Não tenho nenhuma intenção de buscar virtuosismo ou algo extraordinário, apenas conseguir me comunicar melhor com a música e ela comigo.

É incrível como coisas muito simples pode se tornar ferramentas poderosas nas mãos da gente quando a gente aprende a usá-las. Aprender coisas novas já é bom, aprender coisas velhas de uma maneira nova, num ponto de vista e numa abordagem diferente é renovador.

wp_ss_20151111_0001Claro que todo músico deve estudar e praticar com professor ou sem professor, mas essa experiência de voltar a ter alguém com a “batuta” ali guiando uma linha de aprendizado é muito diferente, principalmente porque é uma oportunidade de absorver não aquilo que você entende e da forma que você entende, mas absorver algo que está na cabeça e no universo de outra pessoa.

Mais do que tudo, esse post é um incentivo a você que é músico, mesmo que não profissionalmente, e quer descobrir novos caminhos na música, ou evoluir na execução ou entendimento ou até mesmo pra dar uma reacendida na chama, encontre alguém e permita que essa pessoa lhe some algo. Estude!

#FicaADica

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Músico Cristão: O Tabu da Hipocrisia.

Pra fechar o ano, no clima da maior festividade cristã (Natal), resolvi escrever para meus brothers na fé. Os que não são cristãos, não se sintam excluídos, podem aproveitar o texto também, mas fará mais sentido para os que vivem essa fé.

Falarei de algo que recentemente foi tema de um debate interessante com alguns amigos.

O Músico Cristão

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É bem verdade que todo mundo tem sua fé. Mesmo os que decidem não ter, acabam por ter, paradoxalmente, através dessa decisão de não ter. Enfim, vemos músicos de todas as religiões mundo à fora e me parece que os cristão acabam sendo os mais “marginalizados” dentro do próprio meio. Não vou generalizar, até porque isso está mudando aos poucos, mas acontece que  essa relação entre ser cristão, viver a fé, fazer parte de uma comunidade (igreja), servir/trabalhar na igreja e ser músico (profissional) não se dão muito bem, pelo menos aos olhos de uma parcela significativa da comunidade cristã.

Na minha opinião, se você é cristão e quer ser músico profissional, você não precisa engolir sapo, mas deixa ele lá no brejo dele, não dê muita corda pra esse tipo de debate. Falo sobre algo que tenho conhecimento, pois vivo isso.

Meu conselho é que você busque não necessariamente falar sobre os ensinamentos da sua fé, mas essencialmente vivê-los. Tocar 4265353profissionalmente, muitas vezes te levará a locais onde não respeitam “essas coisas de igreja“, conviver com pessoas que não querem saber de “coisas de bíblia“… obviamente, se você vive a sua fé, isso vai de encontro.

Dar exemplo e mostrar que você não crê por imposição é muito importante, porque a pior coisa que pode lhe acontecer, é alguém (da sua banda, por exemplo) te perguntar porque você faz algo, ou porque você não faz algo e você não ter um motivo SEU. Onde quero chegar? Se você não tem convicção sobre o que crê, você ainda não está pronto pra expor a sua fé. Se você expor, você será “sabatinado” mais cedo ou mais tarde.

No geral, é um ambiente complicado pro “crente”, visto  com maus olhos pelos outros (da igreja) pois às vezes tocamos em bares, ou boates… na verdade há uma grande hipocrisia generalizada, principalmente no brasil, no que diz respeito ao músico, mas não vou entrar nesse debate agora, mas isso gera uma sensação nos outros que você faz por diversão, como se você  precisasse de pretexto pra frequentar bares e boates por ser cristão… eu particularmente não sou muito de curtir a balada, sou mais caseiro, mas não vejo nada de errado em frequentar locais assim. Penso que o fato de ser cristão muda seu caráter, e ir a um bar, sentar numa mesa, conversar com amigos e até beber (MODERADAMENTE, É BOM DIZER) não muda o seu caráter. Mas como falei anteriormente, deixa esse sapo no brejo dele, não adiante entrar em debate, apenas viva o que você prega e já  será o suficiente.

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NICKO MCBRAIN
(Iron Maiden)

A minha opinião é que um dos maiores truques do Diabo é fazer você acreditar que ele não existe. Eu posso dar um tapinha no ombro das pessoas e falar, ‘Eu não estou glorificando-o, se eu estivesse eu não seria Cristão. Pois eu entendo, e a maioria dos Cristãos entendem, que o pecado é o domínio do Diabo e o último pecado é a morte, mas nós temos um caminho a ser seguido, e é aí que a fé e o Cristianismo entram em cena. Algumas vezes eu já tive a oportunidade de conversar com as pessoas sobre a minha fé e sobre o que eu sinto, e talvez esta seja a maneira com a qual o bom Deus esteja trabalhando comigo.

(Recomendo esse artigo: http://www.ironmaiden666.com.br/2012/04/nicko-mcbrain-cristao-baterista-fala.html)

Uma outra atitude “hipócrita” de tudo isso é com relação aos cachê de músicos ou bandas evangélicas. Muita  gente fala que são mercenário, falam em “vender o evangelho” ou “cobrar pra louvar a Deus“…. gente, na boa, isso é pura HIPOCRISIA!

Os caras são profissionais, graças a Deus conseguiram isso tocando algo relacionado à fé deles, eles se sustentam com isso. O cachê é do tamanho da valorização profissional. As igrejas contratam pastores que falam pra multidões e lhes pagam rios de dinheiro –  falo “Rios” pois são salários que se comparam ao salário oficial do presidente da república – mas reclamam dos cachês de bandas/cantores valorizados no mercado. Pior de tudo é que já vi gente reclamando de um ingresso de R$ 40,00 de um show de uma banda cristã de alcance nacional, sob a alegação de que não vai pagar “QUARENTA REAIS!!!” pra louvar a Deus, mas comprar um ingresso de R$ 140,00 pra um show de um artista que não é cristão. Ou seja, R$ 40,00 pra louvar a Deus eu não pago, mas R$ 140,00 por entretenimento puro e simples tá de boa. Nada contra as preferências. Tem artistas que eu pagaria mais, tem outros que não iria nem de graça, não entro nesse mérito, mas na hipocrisia que se vive por aí.

Quase um desabafo de final de ano huahuahuhauha.

Mas, já concluindo, deixo a dica pra você que tem talento e quer utilizá-lo de forma profissional; Esteja onde você estiver, na igreja ou numa lounge por aí à fora, seja você. E se você é um cristão que vive a fé de maneira honesta e dedicada, faça isso na igreja e faça isso fora dela (PRINCIPALMENTE).

Pregue o Evangelho a todas as pessoas. Se for necessário, use palavras“.
(Francisco de Assis)

Feliz 2014 pra todos!

PAX

Victor Slave
Victor Slave

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Buracos na Parede

Quando eu era moleque, me lembro que me deparei com uma estrutura interessante que descrevia na época como “Buracos na Parede“… daí o título desse post.

cobogó-haaz-2Na verdade me refiro ao Cobogó… nomezinho esquisito que muita gente ainda se atrapalha. Confesso que Prof. Google me ajudou! 😛 … mas quem nunca viu uma parece como essa da imagem? Noutros tempos já se usou mais que hoje em dia, mas ainda vemos bastante. A tal da parede de cobogó não é mera decoração, há uma razão… pelo menos deveria haver huahuahuahua (vai que o figura quer uma parede de cobogó SOMENTE pra decorar… quem sou eu pra dizer que não! 😛).

Os Cobogós são passagens de ar e iluminação. A razão mais lógica e prática de existir uma parede ou muro todo cheio de buracos, propositalmente claro, pois ninguém vai querer morar numa casa tipo “Privacidade Zero” onde todas as paredes são perfuradas.

Essas paredes são funcionais e ornamentais… sim, ornamentais! Afinal de contas se você fosse pôr uma dessas em casa não iria querer que ela fosse bonita? que fizesse complemento à decoração, ao estilo da sua casa? Claro. Pelas duas características, é necessário pensar direitinho como utilizá-la. Tamanho, local, posição, angulação com relação ao vento e luz natural, material, cor, etc….

Quando pensamos em música podemos e DEVEMOS usar esses conceitos também.

Grandes músicos, desde Beethoven até Djavan, já manifestaram inquietação com o desprezos de pausas. “Pausa é Música!” diz a máxima. Imagine uma música sem pausas………………………….. deixa pra lá.

Realmente pause é música, pois a pausa é uma espécie de respiração musical. Ela dá o fôlego necessário para se executar as notas tocadas… que podemos brincar aqui com as analogias e dizer que seria a transpiração musical! 😛

O que imagino de parede de cobogó na música vai além da pausa. Faz parte sim, mas vai além. Devemos enquanto músicos, tratar a música como uma arte viva e não como uma equação matemática, onde 2+2 é sempre igual a 4. Cada nota a mais ou a menos, cada batida a mais ou a menos, cada instrumento a mais ou a menos pode fazer uma diferença imensa no desenvolvimento da música. Como a criação de um filho por exemplo.

Spazzole-brushesMe incomoda bastante quando me deparo com uma situação em que toda a banda sente “necessidade” de tocar todas as músicas o tempo todo. Há momentos que isso será necessário, há momentos que não. Existe aquela situação, e aí falo como baterista, em que é preciso colocar uma parede sólida na música. Tem que ter uma base, marcação… mas em outras situações não precisa que a parede seja sólida, ela deve ser como uma parece de cobogó, com espaço pra ventilação e iluminação da música. Aquele momento onde se escutará e se destacará detalhes (como um dedilhado num violão) que geralmente ficam “embolados” na massa sonora.

Termos como “varrer“, “beliscar“, “pianinho” …. e outros nos dão a dica de momentos onde podemos explorar os cobogós. É como um sinal da música falando conosco que é hora de respirar mais e transpirar menos.

Fica a dica!

Victor Slave
Victor Slave

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Quanto Vale o Show?

No último artigo que postei aqui, falei algumas coisas que penso sobre ser feliz na música e sobre a relação “hobbie x profissão” que pode rolar nisso tudo (confira AQUI). Pois bem, agora vou viajar aqui sobre um tema que tem tudo a ver com o lado profissão…. apesar de também fazer parte do universo hobbie.

Quanto Vale o Show?

arte

Essa é uma pergunta tem muito pouco a ver com dinheiro… menos do que a maioria das pessoas possa imaginar quando lê pela primeira vez.

Arte tem muito valor, inclusive financeiro, mas esse valor está diretamente ligado ao artista. No nosso caso o músico. A valorização financeira faz parte, mas é conseqüência da valorização que o próprio músico dá à sua arte.

Se eu vou formar uma banda é prazeroso que seja com amigos, mas se eu valorizo de verdade, não basta ser amigo, tem que saber tocar! Tem que ter qualidade. Se puder unir os dois, ótimo, se não puder, paciência… Isso faz parte de uma preocupação que todos deveriam ter de que o trabalho seja feito e seja BEM FEITO!

Recentemente estava conversando com amigos músicos sobre situações rotineiras de gravações por aí e trocamos ideias sobre situações studio-drumscomo fazer um pacote de gravação num valor x, cobrando por faixa, sendo que cada faixa, na hora de gravar, dava tanto trabalho que valia por umas 5! … às vezes por preciosismo, às vezes  exagero, mas SEMPRE para que o trabalho ficasse bem feito.

Eu preciso pensar que a MINHA MARCA está sendo deixada ali naquela gravação, então essa marca tem que ser muito bem feita. Às vezes não vale a pena pegar um trabalho que até pague bem, mas n te dá boa condições para que você dê o seu melhor, pois lá na frente, quando comentarem negativamente sobre o trabalho, o seu nome será citado e ninguém nunca lembra dos “perrengues” que passamos :/ .

A questão financeira entra como conseqüência de você saber do seu potencial e saber que o seu trabalho vale o valor que você está cobrando, seja ele qual for. Tocar de graça com sua banda quando ela está começando pra poder mostrar ao público vale a pena, mas tem um limite. Não dá pra ficar nessa por muito tempo ou a sua banda perde o respeito dos contratantes… é uma questão de valorização.

Será que vale a pena perder horas de sono estudando repertório, carregar seu equipamento “nas costas” pra ensaiar e tocar, se dedicar tanto para tocar de graça porque algum produtor/empresário acha que está te fazendo um favor deixando você “aparecer”?

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Aquiles Priester

Aquiles Priester quando recebeu convite para uma audição teste para novo baterista do Angra (banda que o traria de vez ao conhecimento do grande público) respondeu que iria, mas só o faria com a sua bateria que estava em outro estado, logo precisava de mais tempo. Ele corria o risco de perder a oportunidade, mas ele sabia que para dar o melhor, precisava da sua bateria. Isso gerou respeito e valorização nos caras do Angra que já o receberam para o teste com outros olhos.

Às vezes precisamos tomar decisões chatas como negar um trabalho, ou fazer exigências para que a nossa condição de dar sempre o melhor seja mantida. Então que seja assim. DÊ SEMPRE O SEU MELHOR! Valorize sua arte!

Quanto vale o seu show?

Victor Slave
Victor Slave

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O Que Faz Você Feliz?

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Um dos maiores desafios na vida de todo músico é, com certeza, ser eclético. Não, o músico não gosta de tocar tudo… músicos são seres “superiores”, mas são seres humanos e, como tal, estão sujeitos às coisas humanas como ter gosto e vontade própria, mas muitas vezes o “ofício” nos leva a fazer coisas “chatas”.

As aspas são propositais pra ressaltar relatividades… chata pra mim pode não ser pra você, e ofício pra mim pode ser um hobbie pra você (as aspas de SUPERIORES é só pra dizer que somos superiores mesmo :P). Falo dessa relação Ofício x Hobbie porque acredito que faz toda a diferença, visto que se você toca por hobbie, faz o que bem entender; como quiser, onde quiser, com quem quiser e na hora que quiser. Já um profissional é sustentado pela sua profissão, então muitas vezes não pode se dar ao luxo de dispensar um trabalho porque não gosta de um determinado tipo de música.

Quem já está na guerra a algum tempo já deve ter pego alguns trampos assim… repertório chato e/ou local chato, mas no final do dia aquele mesmo din din no bolso (às vezes paga até melhor).

Nas minhas andanças por aí já esbarrei com pelo menos 3 situações de excelentes músicos que estavam deprimidos e caminhando seriamente para largar de vez a música… algum tempo depois, voltando a tocar suas próprias músicas ou fazer aquele som que eles gostavam de verdade, a paixão voltou, a vontade voltou e aí descobriu-se o problema: Estavam cansados de tocar o que não gostavam.

Eles recebiam pelo trabalho, tinham uma agenda relativamente cheia… profissionalmente poderiam nem ter do que reclamar, mas não estavam felizes com o que faziam; até porque um músico feliz é aquele que satisfaz a sua própria necessidade de música… não pense que vender música é satisfatório… é pro bolso, isso sim, mas não faz ninguém feliz.

rush_mrossi_t4f_4Temos exemplos na história de bandas que deram uma guinada nas suas carreiras depois de consagradas porque decidiram fazer um álbum para agradar seus próprios ouvidos. Há inúmeros casos de bandas Foo-Fighters_nme-awards-2011_1500a_aol-music-ukconsagradas que dão uma pausa para que os integrantes se dediquem aos seus “projetos paralelos”. Isso é NECESSIDADE de encontrar a si próprio.

Um dica que dou a todos que estão lendo: definam o que vocês querem da música. Se é o seu hobbie ou se é sua profissão. Não se iluda, ela não será as duas coisas por mais que possa parecer. Mais cedo ou mais tarde a indefinição se transformará em depressão e você chutará o balde pra longe.

Se é o seu hobbie, curta! Toque o que você gosta! Não se permita ser útil, busque viver intensamente o momento que você estiver tocando, tipo quem salta de paraquedas.

Se você decidiu que a música será tratada como profissão, então dedique-se a ela. Você irá conduzir, mas é a música que lhe dirá pra onde ir. Você vai se doar e vai sim pensar na valorização. Não é porque você gosta de fazer que você vai fazer de graça {esse assunto vem no próximo artigo}.

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Ser feliz não é um ponto inerte, é uma busca diária. Ser feliz na música é tocar cada nota como se fosse a última. Intensidade, entrega e relacionamento. É poder colocar cada “gota” de você no que você toca e se a música não for o que te faz feliz, não adianta forçar. Aproveite o salto e bola pra frente.

 

Victor Slave
Victor Slave

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Inimigo da Perfeição

sem medo de errar

Hoje vou deixar um recado importante. Óbvio, previsível, mas importante.

Diz o ditado popular que a pressa é inimiga da perfeição, e eu não vou desmentir não, de fato a pressa é inimiga da perfeição, mas existe algo que, na minha opinião faz até mais estragos que a pressa: O Medo!

Pra tudo na vida, precismos de fé. Não estou falando necessariamente de algo espiritual ou religioso, mas fé pura e simples. Ter fé é acreditar piamente em algo ou alguém, mesmo que não lhe seja palpável. É aquela certeza que tudo vai dar certo, mesmo que na real mesmo, você não possa garantir que tudo dará certo.

lars metallicaQuando subimos no palco e “abraçamos” nosso instrumento, precisamos, mais do que nunca, ter fé. Como eu já disse, nada de outro mundo, apenas estar no palco com seu instrumento, com sua banda e com a certeza plena que dará tudo certo. PONTO!

Quando tocamos com qualquer tipo de insegurança, não tocamos plenamente como sabemos que somos capazes. Um batera precisa ser o porto seguro da banda, o cara que segura o tempo, que conduz entrada, saída, dinâmica… aquele cara que a banda olha quando a música ou o show chega numa mudança de parte. Se esse cara está sentado na bateria, em cima do palco e inseguro, quem então estará seguro?

O medo de errar, de não conseguir executar ou de esquecer algo é inimigo mortal.
É humano errar. Fatalmente, num show, alguém travis-barker-aulas-de-bateria(pra não dizer todos) passará batido nem que seja num quarto de compasso, mas se isso se tornar uma preocupação prévia, pode ter certeza que o número de erros será maior e mais, os acertos não serão tão perfeitos e seguros como deveriam.

Stanley Clarke, Marcus Miller and Victor Wooten live at Oeiras SoundsA DICA:  Faça todo o seu ritual de alongamentos, aquecimentos, dê aquela olhada no set list pra ver se há ainda alguma dúvida … Suba ao palco, pegue seu instrumento, concentre-se e divirta-se … ahhh, importantíssimo: SE COMUNIQUE NO PALCO!

Uma banda que não se comunica enquanto toca não toca junto! Não é possível!

Se você está tranquilo, concentrado, se divertindo e completamente à vontade para se comunicar, não há o que dá errado!

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Bons sons, bons shows e fé! Muita fé sempre!

Victor Slave
Victor Slave

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Autodidata??

Essa semana li nas redes sociais por ai uma frase que me despertou sobre algo. Nada demais, apenas uma questão de colocação.

O autodidata. Quem é de fato autodidata?

Imagine um funcionário analfabeto trabalhando numa mercearia, por exemplo, no balcão ou como entregador. É  uma função simples, mas que geralmente exige algum cálculo e/ou alguma leitura (listas, pedidos, preços, etc…). Esse figura não aprendeu a ler, mas ele desenvolve tudo isso no dia a dia, como pode?

A verdade é que ele aprendeu o ofício… ele aprendeu sua função na prática. Ele aprendeu que a nota de R$ 2,00 é azul e vale menos que a nota de R$ 5,00 que eh lilás.. ou roxa, sei lá hehehe
Eu particularmente conheço uma pessoa assim, que não sabe dizer quanto recebe, mas soube me dizer assim: “4 de 100, 1 de 50, 2 de 20….”.

Às vezes encontramos esse tipo de “autodidata“ na música.
– aprendeu com quem?” “– sou autodidata!” …. mas na verdade ele pega seu instrumento e toca de forma, por vezes, até incorreta no que diz respeito às posturas e posições, mas muitas vezes emitindo um som razoável.

Para dar um exemplo, um baterista “autodidata” senta na batera e faz um som até interessante, mas não sabe nem mesmo segurar e movimentar as baquetas da forma correta. Esse cara não é um autodidata, ele é um analfabeto musical que aprendeu um “ofício“.

O autodidata (e aí vai a frase que eu li) “ESTUDA SOZINHO, MAS ESTUDA!“. Daí o termo “didata“.

Eu sei que na prática isso é só teoria, mas a prática sem teoria é o carinha da mercearia!

Vamos evoluir!

Pax!

Victor Slave
Victor Slave

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Maceió Meu Bem Querer

Maceió Meu Bem Querer

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Yes I Can!

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Uma das frases marcantes que acabaram se tornando símbolo de perseverança e vitória, “Yes I Can!” (Sim Eu Posso) chegou ao seu “ápice” ao ser usado como jargão na campanha à presidência dos EUA vencida por Barak Obama.

Mas será que se aplica à música? Será que se aplica a tudo? … na boa, considerando todo tipo de argumento, todo tipo de filosofia, todo tipo de influência musical de toda natureza, Sim!  Focando mais no batera, SIM!

A música é um universo com natureza própria que se reinventa o tempo todo… o que será que não se pode fazer na música? A real é que se pode fazer tudo… não e atrevo a dizer algo que não se pode fazer na música.

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Mas sobre o que se trata isso tudo?

Quando eu falo em poder, não quero abordar o verbo “poder” no que se refere a permissão, mas no que se refere a capacidade e a possibilidade.

Quando eu digo capacidade é realmente uma referencia à técnica. Você é capaz de fazer aquilo que tanto almeja? Aquele solo, aquela levada… aquela batida cheia  de suingue que você viu ou ouviu e sempre quis reproduzir… você é capaz de fazer? Você pode fazer?

Todo processo criativo passa de certa forma pela influência, então esse lance de ver ou escutar e tentar reproduzir está diretamente ligado a sua capacidade de criar… então é preciso se preparar para ser capaz de executar o que você quer executar….. mas aí entra a outra aplicação do verbo “poder“.

tempo (1)

Será que você pode se dar um tempo para praticar seu instrumento? Será que há uma brecha entre o trabalho e a faculdade? ou entre a faculdade e casa da namorada? ou será que sobra tempo pra cuidar da família, trabalhar e ainda praticar seu instrumento?

Eu não sei como está sua vida, mas eu digo SIM VOCÊ PODE!

No nosso dia a dia corrido, precisamos traçar prioridades e é isso que separa o que fazemos e o que não fazemos durante o dia.

Eu conheci um cara certa vez num cursinho, que ele trabalhava os dois horários eestudando-para-concurso frequentava o cursinho à noite.. e ainda estudava 3 horas em casa TODOS OS DIAS! … vamos calcular: O cara não tinha carro, então acordava às 6h pra pegar um ônibus umas 7h, e estar no trabalho 8h… largando às 18h. Às 19h iniciavam-se as aulas que iriam até as 22h. Ônibus pra casa e esse rapaz estava em casa tomado banho e pronto pra estudar aproximadamente à meia-noite. Acrescente aí 3 horas de estudo e você verá que 3 horas é o sobra para ele dormir e recomeçar a rotina de novo.

Aí eu pergunto: Esse rapaz podia trabalhar os dois horários, frequentar um cursinho e ainda ainda estudar 3 horas diariamente? Sim ele podia!

E você?

Pode separar 20 ou 30 minutos por dia para o seu instrumento? Sim você pode….

mas será que quer?  … (Assunto para um outro post… um dia!)

Victor Slave
Victor Slave